O DESEJOSO, O LEGAL E O PRÁTICO

     Nota-se claramente uma crise das instituições brasileiras. Em um momento vemos prisões que levantam nossas esperanças de que um dia as coisas possam dar certo e, em outro, mais rápido do possamos notar, políticos são soltos produzindo não apenas frustração, mas uma confusão jurídica generalizada na já pouca instruída população brasileira. Para entender  melhor o que ocorre no Brasil precisamos levar em conta definições como CORRUPÇÃO, DIREITO E DEMANDA POPULAR. A primeira conhecemos bem. É aquele jeitinho brasileiro de se dar bem (e cada vez mais) trabalhando com aquilo que é do outro ou é público. Nós temos certeza que ela existe. Não só entre políticos é verdade, mas entre eles também. E embora de alguma maneira sejamos corruptos também, não queremos aceitar, não mais, a corrupção de nossos governantes. Nós não sabemos como e nem quem. mas sabemos que ela existe. E é bem possível que a sociedade esteja muito certa quando pensa assim. É por isso que durante a exibição de notícias de prisões desses políticos que se nos vem a boca um sorriso que mal podemos perceber o porquê. Acontece que existe o direito. E por mais que não consigamos entender , ele está aí exatamente para defender todo o cidadão (inclusive os políticos) de que uma punição ocorra sem que seja clara e evidente a culpabilidade do réu. Assim como era sua essência entre os romanos - que todos fossem julgados conforme uma pauta de leis  que fossem iguais para todos. No caso brasileiro de corrupção é o direito que reza que não adianta dizermos que alguém é corrupto. Temos que dar nomes e provar, sem que reste dúvidas, que alguém é e qual foi o ato que cometeu. Isso não é tarefa simples e uma investigação tem que ser muito bem feita para que não deixe frestas para que a defesa derrube todo o processo. Agora, cá entre nós. Quem quer roubar no serviço publico já tem alguma experiência sobre sua funcionalidade e é juridicamente assessorado. Vai ser muito difícil encontrar provar que, por um vacilo, o infame tenha deixado. É por isso que a maioria das investigações acabam malogrando. A falta de provas é o grande empecilho que tem a Justiça para colocar corruptos na prisão. E aí não vale a demanda popular, ou seja, a vontade da população. Alguns juízes até que a querem usar para dar mais notoriedade aos processos com vistas ao sucesso de suas empreitadas. Mas em algum momento, sem provas coerentes, também cairão. Se juntarmos a capacidade de investigação da polícia (a qual já quero dizer que tiram sangue de tapioca), a morosidade da justiça, instituições como o foro privilegiado e a capacidade de se reinventar do corrupto brasileiro, apesar de todo alarde e modismo que vemos na televisão, não esteremos evoluindo muito no combate à corrupção. Aliás, corrupção é algo que para nós é cultural e ema revolução cultural é que nos é necessária. Enquanto ela não chega nós podemos, por exemplo, não furar a fila do banco...

Comentários

  1. "Julgamos na política principalmente faltas éticas. Julgamos na vida não-pública falta morais. Devemos saber manter esses campos no que eles são campos próprios, mas não devemos criar barreiras intransponíveis entre eles ou então isonomias obrigatórias. Vamos para exemplos.

    Favorecimentos de amigos na política é uma falta ética, mas, na vida privada, é uma lealdade. Nesse caso, o que é pecado na vida pública é uma virtude na vida privada. Alguém vai até um político e lhe cobra lealdade por amizade, o que implicaria facilitações indevidas, até ilegais, e é barrado. Sai chateado com o amigo, pois não entende que a vida pública e a política correta não poderiam, mesmo, permitir o favor pedido.

    "Por sua vez, a corrupção na política é uma falta ético-moral, sendo que a parte moral se deve ao vínculo da ação à noção de roubo, que é algo do cotidiano, algo do campo da vida privada. No entanto, alguém que nunca roubou nada na vida cotidiana, de cidadão, pode muito bem se mostrar um ladrão na vida política, quando então terá, na verdade, o nome de corrupto, não de ladrão. Alguém sem duvidoso caráter na vida cotidiana, que nunca tenha roubado nada, pode mostrar na sua vida moral, logo de início, indícios de que não se comportará bem no âmbito ético, ou seja, na vida pública."

    http://ghiraldelli.pro.br/politica-2/populacao-nao-e-igual-ao-seu-governo-cuidado.html

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